Senadores cearenses terão papel de destaque em colegiado que apura desvios estimados em R$ 6,3 bilhões; instalação representou derrota para o Governo Lula

Os senadores cearenses Cid Gomes (PSB) e Eduardo Girão (Novo) foram escolhidos como titulares da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instalada nesta quarta-feira (20), para investigar um esquema de fraudes bilionárias em benefícios previdenciários. A senadora Augusta Brito (PT) foi designada como suplente.

A comissão é composta por 64 parlamentares — metade senadores e metade deputados — divididos entre titulares e suplentes. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) foi eleito presidente da CPMI, em uma vitória da oposição. Já a relatoria ficou com o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL).


Instalação é considerada derrota para o governo

A formação da CPMI foi interpretada por analistas políticos e parlamentares como uma derrota para o Governo Lula (PT). O Palácio do Planalto, com apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), articulava para que o senador Omar Aziz (PSD-AM) assumisse a presidência, mas a oposição conseguiu reunir votos e emplacar Carlos Viana no comando.


Esquema pode ter causado prejuízo bilionário

A instalação da comissão ocorre após uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), em 23 de abril, que revelou um esquema de cadastramento irregular de aposentados em associações de serviços.

Segundo as investigações, essas entidades falsificavam assinaturas para filiar beneficiários sem consentimento, resultando em descontos indevidos nos benefícios pagos pelo INSS. Em troca, os aposentados teriam acesso a supostos serviços de assistência jurídica e descontos em planos de saúde.

O esquema teria começado em 2019, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e continuado na gestão atual. O prejuízo estimado chega a R$ 6,3 bilhões, mas o valor final ainda será calculado.


Cearenses com papéis estratégicos

Com Cid Gomes e Eduardo Girão entre os titulares, o Ceará terá participação ativa nas decisões da CPMI. Cid, aliado histórico do PT, e Girão, crítico do governo, devem representar posições políticas distintas dentro do colegiado, o que pode aumentar o embate interno.

A expectativa é que os trabalhos avancem nas próximas semanas, com a convocação de testemunhas e análise de documentos para apurar responsabilidades.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.