O segundo dia do quarto júri da Chacina do Curió foi marcado, nesta terça-feira (26), pelos depoimentos de testemunhas de defesa dos sete policiais militares réus no julgamento. A primeira das seis testemunhas começou a ser ouvida no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza, por volta das 9h20.

Este júri envolve os PMs conhecidos como integrantes do chamado “Núcleo da Omissão” — policiais que, segundo a tese do Ministério Público do Ceará (MPCE), estavam de serviço na região da Grande Messejana e poderiam ter evitado a chacina ocorrida entre os dias 11 e 12 de novembro de 2015, quando 11 pessoas foram assassinadas.

Antes do início da sessão, o advogado Carlos Bezerra Neto, que defende um dos réus, afirmou ao Diário do Nordeste que espera um julgamento técnico:

“A nossa expectativa é de conseguir, de forma didática, demonstrar as provas dos autos e confirmar a inocência dos nossos clientes”, disse.

Depoimento do tenente da PM

A primeira testemunha ouvida foi um tenente da Reserva Remunerada da Polícia Militar do Ceará (PMCE). A pedido da defesa, os réus acompanharam o depoimento por videoconferência, em uma sala reservada, com autorização do colegiado de juízes.

O militar relatou que, à época do crime, atuava no rastreamento das viaturas na Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), mas não estava de serviço no dia da ocorrência. Segundo ele, a localização dos veículos era atualizada a cada três minutos pela coordenadoria.

Durante a oitiva, os advogados questionaram o tenente sobre as transcrições de áudios entre as viaturas e a Ciops. Ele afirmou que a Viatura RD 1087, citada no “processo de omissão”, atendeu a uma ocorrência de duplo homicídio dentro dos padrões da coordenadoria.

O militar também explicou como foi realizado o rastreamento das viaturas utilizadas pelos policiais réus na noite dos assassinatos e na madrugada seguinte, conforme apurado pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD).

Sessão suspensa e retomada no turno da tarde

O depoimento foi interrompido pelo colegiado de juízes por volta das 12h30 para o intervalo de almoço dos sete jurados e deve ser retomado no período da tarde.

O julgamento segue nesta semana e ainda deve ouvir outras cinco testemunhas de defesa, além das manifestações do MPCE, dos advogados e dos próprios réus.

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